Afirmação é do experiente consultor em turismo, Luiz Carlos Barboza, com mais de 30 anos de atuação no setor, apresentada em excelente palestra na segunda edição do workshop Desafios Para Tornar Estado do Espírito Santo Destino Turístico Competitivo, dia 15 de agosto de 2017.

 

Turismo: Estado do Espírito Santo será competitivo se superar médias do segmento

Luiz Carlos Barboza apoiou a explanação em painéis construídos com percepção de profissional capacitado, detalhados com maestria de integrante da Organização Mundial do Turismo e do Conselho Nacional de Turismo do Brasil e apresentados com a segurança de tarimbado palestrante internacional

 

Como identificar quais desafios o Estado do Espírito Santo precisa vencer para tornar-se, realmente, um destino de turismo de destaque em todo o Brasil, e até mesmo fora dele? E, conhecendo-os, quais as atitudes a tomar para superá-los e mais breve possível?

Profissional experiente, consultor voltado ao setor desde 1998, Luiz Carlos Barboza encarou o problema. E, após apresentar amplo diagnóstico sobre esta atividade no mundo e no País, e sua visão da realidade em terras capixabas, resumiu suas sugestões:

  • Ampliar esforços em turismo de negócios e ventos corporativos e de profissionais;
  • Aprimorar e qualificar o turismo já existente;
  • Aproveitar nichos: observação de baleias e pesca do Marlim Azul;
  • Buscar ainda mais eventos corporativos e de profissionais; e,
  • Criar outras promoções como “Brilho de Natal”, do Município de Domingos Martins.

Luiz Carlos Barboza propôs estas conclusões ao final de sua palestra na segunda edição do workshop Desafios Para Tornar Estado do Espírito Santo Destino Turístico Competitivo, dia 15 de agosto de 2017, iniciativa desenvolvida pelo Espírito Santo Convention & Visitors Bureau.

Plateia de empreendedores do segmento, gestores públicos envolvidos com a atividade e lideranças representativas do segmento visualizou acurado quadro do turismo mundial, no geral, do brasileiro, no particular, e do capixaba em um foco ainda mais concentrado.

Painéis construídos com percepção de profissional capacitado, detalhados com maestria de integrante da Organização Mundial do Turismo e do Conselho Nacional de Turismo do Brasil e apresentados com toda a segurança de tarimbado palestrante internacional.

Instado a debater sobre competividade em turismo, apresentou sua definição para o tema. Em resumo: “Atingir metas acima da média do setor, de forma sustentável, ao mesmo tempo em que se alcança a máxima satisfação dos turistas e da sociedade.”

Para ele, é o maior desafio e mais importante objetivo a ser enfrentado pelo Brasil, seus destinos e empresas do setor. E acrescentou: “Não será impossível, mas demandará uma análise acurada dos problemas e um planejamento completo e detalhado das soluções.”

Luiz Carlos Barboza acentuou: “A execução das ações continuadas deve ser tocada por pessoas de perfil adequado, comprometidas e engajadas. Monitoramento sistemático dos resultados tem de ser periódico. Felizmente, não exige investimentos muito elevados.”

Pelo seu diagnóstico, a busca pela competitividade em turismo deve ser trabalhada em três níveis, por atores diferentes, com responsabilidades dirigidas a cada um deles. E ele não se furtou a detalhar cada um deles, de modo simplificado, mas bastante didático.

O nível Macro, composto por políticas públicas em geral, políticas específicas para turismo, regulamentos, investimentos em infraestrutura, qualidade na educação e na saúde, ampliação da segurança etc., fica por conta dos três graus do Poder Executivo.

O nível Meso, referente às articulações do setor privado com setor público, relações das instituições de representação de classe, governança nos mais diversos fóruns, grau de cooperação, alianças estratégicas etc., por conta das entidades representativas da classe.

E o nível Micro, englobando as ações comuns do dia a dia das empresas, por conta das capazes para competir: aprimoramento contínuo da gestão administrativa, qualificação de recursos humanos, aplicações em inovação, investimentos em sustentabilidade etc.

Luiz Carlos Barboza surpreendeu os presentes ao delinear o espaço que nosso País tem para crescer em competitividade no turismo. Segundo o Fórum Econômico Mundial, há 27 nações à nossa frente. A primeira, Espanha, seguida da França, Alemanha, Japão…

Em termos de turistas estrangeiros, perdemos para 29. Assim, enquanto os líderes têm 10% de participação direta do turismo na formação do Produto Interno Bruto — PIB, alcançamos apenas 3,5% — estes dados e aqueles do parágrafo anterior são de 2016.

Também jogou por terra a desculpa do turismo aqui não crescer por estarmos distantes dos principais polos emissores: Estados Unidos da América e Europa. Fez isso exibindo lista de resultados do incremento da atividade em países até mais distantes que a gente.

Comparando 2007 com 2013, temos: China, foi de 21,9 para 55,7 milhões, crescimento de 154%; Tailândia, de 14,4 para 26,5 — 84%; África do Sul, de 5,2 para 9,5 — 76%; e, Austrália, de 4,0 para 6,4 — 60%. Brasil, de 5,4 para 6,3 (em 2014, Copa) — 16%.

E o que é pior: com a crise econômica legada pelos últimos Governos, andamos ainda mais para trás enquanto o mercado internacional continuou avançando celeremente. Ou seja: nossa defasagem frente aos competidores, já enorme, foi ainda mais ampliada.

Depois de enfatizar os dados negativos, Luiz Carlos Barboza listou os caminhos que vê como capazes de contribuir para aumentar a competitividade do turismo brasileiro. Eles estão listados a seguir, apresentados em ordem alfabética, uma preferência deste redator.

  • Aprimorar capacitação gerencial nas empresas;
  • Corrigir deficiências em educação, higiene, segurança e saúde;
  • Criar cultura de encadeamento de negócios;
  • Estabelecer visão estratégica de longo prazo, integrada e continuada;
  • Fazer promoção do turismo em todos os níveis, com demanda e oferta relacionadas;
  • Fixar política consistente de promoção, em cooperação Governo e setor privado;
  • Implementar e fortalecer governança que organize demanda e oferta;
  • Melhorar a definição dos produtos: roteiros, segmentação etc.;
  • Melhorar infraestrutura de comunicações e de tecnologia;
  • Melhorar infraestrutura de transportes aéreos e terrestres;
  • Mudar inadequada política de qualificação e certificação dos profissionais;
  • Promover articulação e sintonia com setores da cultura, entretenimento e lazer;
  • Reduzir elevada tributária em toda a cadeia de serviços do turismo; e,
  • Reduzir encargos trabalhistas em toda a cadeia de serviços do turismo;

Suas sugestões estão de acordo com resultados obtidos pelo Estudo de Competitividade das Pequenas Empresas de Turismo do Brasil, materializado através de parceria entre o Conselho Nacional de Turismo e o Sebrae Nacional, vindo a público em março de 2016.

Para gestores das empresas relacionadas com turismo no País, principais gargalos para melhorar a competitividade são a elevada carga tributária (62%), carências da mão de obra (53), falta de prioridade do Governo (49) e peso dos encargos trabalhistas (33).

Em contrapartida, eles listaram suas estratégias adotadas para superar estes entraves: melhoria da qualidade dos produtos e serviços (62%), treinamento de pessoal (40), acompanhamento das inovações (37) e ampliação dos investimentos em marketing (34).

Luiz Carlos Barboza enfatizou: não se pode falar em competitividade para o turismo nos dias atuais sem levar em consideração as significativas mudanças impostas pelo uso da Internet nos hábitos dos turistas. Lembrando que são bem mais, listou apenas estas seis:

  • 85% dos viajantes usam smartphone para fotografar e descrever a viagem;
  • 72% publicam nas redes sociais, para amigos acompanharem de perto sua experiência;
  • 70% leem avaliações postadas por outros turistas antes de escolher onde se hospedar;
  • 61% utilizam redes sociais para se comunicar enquanto estão em viagem;
  • 46% costuma dar dicas de hospedagem a familiares e amigos; e,
  • 30% acham redes sociais o meio mais prático para fazer contatos quando viajando;

Em seguida, abordou as tendências de consumo relacionadas a turismo e viagens hoje por todo o mundo: “Isso é decisivo. Não se pode colocar produto ou serviço à venda sem antes saber o que o mercado anseia, busca, prefere. Caso contrário, prejuízo certo.”

  • Busca de informações sobre destinos na Internet;
  • Expectativa por atendimento personalizado e detalhado;
  • Facilidade de crédito e pagamento;
  • Pesquisa sobre destinos com antecedência;
  • Rapidez para obter informações sobre mais diversos pontos do planeta;
  • Roteirização com excesso de pontos, sem aprofundamento, perdendo espaço;
  • Tendência de crescimento de serviços cada vez mais customizados;
  • Turista conectado em redes sociais;
  • Uso de aplicativos e sites para planejar viagens;
  • Verificação se roteiro desejado é viável financeiramente; e,
  • Viagens mais acessíveis, independentemente de classe social ou econômica.

Trazendo o foco sobre as tendências de consumo para o Brasil, apoiou-se em recente trabalho de Janine Pires, uma das mais prestigiadas técnicas de turismo da atualidade em nosso País, tendo já atuado tanto no setor público quanto na iniciativa privada.

  • Ambientes Web para busca, procura e reservas 100% mobile friendly;
  • Bleisure travel, mistura de business e leisure, trabalho e lazer;
  • Compartilhamento, promovendo vivência no destino;
  • Experiência, procurando viver o destino e não só visitá-lo;
  • Facilidade para imersão na cultura local;
  • Praticidade: pouco mobiliário, pagar somente por serviços solicitados; e,
  • Tecnologias up to date: wi-fi, realidade virtual etc.

Ao apresentar seu diagnóstico sobre a realidade do turismo no Estado do Espírito Santo, Luiz Carlos Barboza surpreendeu os presentes, mostrando realmente ter pesquisado os últimos planos estratégicos desenvolvidos por aqui, fixados em 2004-2013 e 2007-2025.

Em primeiro lugar, achou excessiva a definição de 10 regiões e de oito rotas turísticas. E questionou se os estudos nos quais isto foi baseado levou em consideração demandas de mercado ou veio da compilação de textos, nascida dentro de escritórios e gabinetes.

Na sua visão, a Cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, estar a 500 quilômetros da Cidade de Belo Horizonte e da Cidade do Rio de Janeiro, 900 da Cidade de São Paulo e 1.200 da Cidade de Brasília e da Cidade de Salvador é muito positivo.

São mercados nos quais podem ser trabalhados os produtos já explorados, como Sol e praia, eventos e negócios, e buscar turistas para potenciais ainda não aproveitados, tais como agricultura, cultura, ecologia, história, Melhor Idade, náutico, religioso, saúde etc.

Ao concluir, pincelou s problemas a serem solucionados, já conhecimento de todos os envolvidos no segmento na atualidade. E sentenciou: alguns precisam da intervenção do Governo; outros, ação conjunta Governo e iniciativa privada; e, muitos, só desta última.

  • Ampliação dos sistemas de coleta e tratamento dos resíduos líquidos: esgotos;
  • Construção ou Melhoria de acesso aos atrativos mais remotos;
  • Facilitação da entrada em parques ambientais e áreas de preservação com uso turístico;
  • Forte concentração nos entornos da Cidade de Vitória e da Cidade de Guarapari;
  • Hospedagem fortemente ligada à segunda residência ou casa de amigos e parentes;
  • Investimentos na urbanização de orlas de praias, sobretudo do Canal de Guarapari;
  • Mudança do perfil do segmento Sol e praia, formado em sua maioria por veranistas; e,
  • Sazonalidade no decorrer do ano, acontecendo apenas em período de alta estação.

 

Turismo: Estado do Espírito Santo será competitivo se superar médias do segmento

Plateia de empreendedores do segmento, gestores públicos envolvidos com a atividade e lideranças representativas do segmento visualizou acurado quadro do turismo mundial, no geral, do brasileiro, no particular, e do capixaba em foco mais concentrado